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Formação Técnica em Radiologia. Teoria ou Prática, Caminhos a Seguir (Parte 1)

Formação Técnica em Radiologia

A temática pesquisada para este artigo é de suma importância, pois visa desenvolver e descrever, qual estratégia é mais aconselhável para o aprendizado dos alunos da disciplina de técnicas radiológicas do Curso Técnico em Radiologia Médica da Escola Estadual Técnica em Saúde no Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

Regulamento da Profissão e Início da Formação no Brasil Até 1985 as técnicas Radiológicas eram exercidas pelos “Operadores de RX”, sua formação era usualmente, feita através da orientação dos médicos radiologistas e muitas vezes empírica, logo autodidata. Naquele período, haviam poucas Escolas para formação no País, as existentes eram de cursos livres não regulamentados pelo Sistema Educacional.

A profissão de Técnico em Radiologia no Brasil foi regulamentada através da Lei nº 7.394, de 29 de outubro de 1985, onde em seu primeiro artigo determina as áreas de atuação que profissional poderá ter, de acordo com a sua formação.

“1º – Os preceitos desta lei regulam o exercício da profissão de Técnico em Radiologia, conceituando-se como tal, todos os Operadores de Raios X que, profissionalmente, executam as técnicas:

I – radiológica, no setor de diagnóstico;
II – radioterápica, no setor de terapia;
III – radioisotópica, no setor de radioisotópos;
IV – industrial, no setor industrial;
V – de medicina nuclear.” (pg. 1)

A partir desta data como profissão regulamentada, a formação dos profissionais das técnicas radiológicas passou a ser subjugada as Legislações Educacionais que tratavam da formação dos profissionais de nível técnico no Brasil.

Formação Teoria e Prática
Para subsidiar a elaboração do estágio, a fim de, buscar embasamento teórico, foi de fundamental importância efetuar pesquisa de fontes que auxiliassem a alicersar do pensamento, para tal foram utilizados os seguintes autores, Xavier Roegiers e David Ausbel. Xavier Roegiers, atua como Presidente do Gabinete de Engenharia da Educação e da Formação (BIEF), professor da Universidade Catholique de Louvain (UCL), é Engenheiro e Doutor em Ciências da Educação (Pontifícia Universidade Católica de Leuven). Suas áreas de interesses de pesquisa são:

• Reformas curriculares;
• Abordagem curricular por habilidades;
• Avaliação da aprendizagem escolar.

Seu trabalho sobre a Abordagem por competências e a pedagogia da integração é muito interessante, mas inicialmente temos que esclarecer o que é ser competente.

Competência num contexto geral é o saber-fazer, visando desenvolver no aprendiz a capacidade de resolução de problemas concretos. Num contexto escolar, no caso do ensino técnico, ser competente é saber resolver uma situação problema no campo profissional, ou seja, na prática.

“Para isso, o professor (o formador) deve fornecer aos alunos (aos participantes) as ferramentas, chamadas “recursos”:

• Saberes,
• Saber-fazer,
• Saber-ser.

Ele também deve aprender a utilizar esses recursos para resolver uma situação – problema” (ROGIERS).

O que seria a a pedagogia da Integração no caso da Radiologia?

Integrar os saberes de saber-fazer e saber-ser, é utilizar os conhecimentos assimilados de forma concreta em situações profissionais como:

• Avaliar requisição médica;
• Preparar sala de exame;
• Orientar paciente para exame;
• Atuar conjuntamente com toda equipe envolvida na execução do exame radiológico;
• Aplicar uma técnica radiológica específica;
• Identificar estruturas anatômicas a serem estudadas;
• Liberar e orientar paciente para retirada do exame ou condutas a seguir.

Não podemos deixar de trazer a indispensável relação da teoria à prática, pois esta deve priorizar a abordagem por competências com fins de tornar a aprendizagem realmente ”significativa”, logo, sempre devemos buscar ensinar ao discente a mobilizar seus recursos pré-adquiridos e utilizalos na resolução de situações problema, assim a teoria terá sua aplicabilidade testada, dando sentido ao conhecimento previamente aprendido e o aluno verá o sentido fim para o conhecimento abordado.

Neste contexto integrar os saberes de saber-fazer e saberser, é utilizar os conteúdos abordados de forma concreta em situações da vida real, sendo de responsabilidade do docente ser capaz de transferir aos seus aprendizes, a capacidade de sair do contexto escolar para um contexto quotidiano, ou seja, passar da teoria à prática. No processo de busca de “transmitir conhecimentos” aos alunos e integrar os seus saberes, podemos apresentar “casos-problemas”, chamadas situações de integração, e instigá-lo a tentar resolvê-las, a associação dos saberes é na prática a resolução destas situações-problema, pelos alunos, onde, neste eles é que “trabalham” para solucionar as questões
apresentadas.

Na prática docente, muitas vezes vemos que, alguns alunos sabem as matérias que foram abordadas de forma teórica, mas tem dificuldade de utilizar os seus conhecimentos para resolver uma situação problema, por esta razão o professor-orientador, deve ensinar a correlacionar os seus saberes de, saber-fazer e saber-ser, só assim poderá haver a real integração, logo como mentores temos sempre que considerar questões como as abaixo alencadas por Rogiers:

“-Só há integração se o aluno possuir os diferentes recursos: saberes, saber-fazer e saber-ser.

-Só há integração se o aluno reinveste os conhecimentos adquiridos num contexto novo (uma nova situaçãoproblema). Esta situação é muito mais complexa e rica do que uma ficha na aula ou um exercício: a situação problema faz apelo a vários saberes/conhecimentos e ao saber-fazer.
-Só há integração se o aluno se implica pessoalmente na resolução da situação-problema. Deve ser o próprio aluno a encontrar os saberes e o saber-fazer, os quais devem ser mobilizados e articulados para resolver a situação/problema.
– Ninguém pode integrar no lugar do outro” (ROGIERS).

Outro autor referenciado foi David Ausubel, ele era filho de família judia e pobre, imigrantes da Europa central, cresceu insatisfeito com a educação que recebera, revoltado contra os castigos e humilhações pelos quais eram rotineiros nas escolas de sua época, afirmava que para o aluno a educação era violenta e reacionária, isso foi tão marcante que relatou um destes fatos de não traumatizante em um de seus livros:

“Escandalizou-se com um palavrão que eu, patife de seis anos, empreguei certo dia. Com sabão de lixívia lavou-me a boca. Submeti-me. Fiquei de pé num canto o dia inteiro, para servir de escarmento a uma classe de cinquenta meninos assustados (…)”. Para ele, “A
escola é um cárcere para meninos. O crime de todos é a pouca idade e por isso os carcereiros lhes dão castigos.” (AUSUBEL, p-31)

Era radicalmente contra o ensino mecanicista, automatizado, por isso tornou-se representante do cognitivismo, e propondo a aprendizagem com foco no “processo da compreensão”, de modo a intensificar a aprendizagem como um processo de armazenamento de informações e saberes, não um evento “mágico” que ocorreria aos alunos simplesmente ao tomar contato com saberes teórico-práticos diversos, neste contexto a responsabilidade de agrupar e organizar estes conhecimentos era atribuída a um fenômeno mental do indivíduo. Mas na verdade o processo de compreensão, deve ser trabalhado e exercitado pelo docente, para que no futuro possa ser utilizado pelo aprendiz, pois só assim já estará organizado e integrado, ou seja, aprendido com sentido e significado.

Para ele, a aprendizagem significativa no processo de ensino / aprendizado, o aluno necessita ver, ter e dar sentido a informação, ele deverá interagir e alicerçar os conceitos relevantes pré-existentes no aluno, ligando-os aos a serem abordados. Ausubel entende que a “aprendizagem significativa” ocorre quando o conhecimento prévio do aluno (mesmo que no plano intelectual), aliado a condução dada pelo docente, dá ao discente a capacidade de ser receptivo à descoberta, assim despertando interesse no que esta por vir, assim quando ele estiver “pronto” poderá assimilar este conjunto de conceitos através de:

  • Assimilação;
  • Diferenciação progressiva;
  • Reconciliação integrativa de conceitos.

Para que isso ocorra, Ausubel sugeriu a utilização de organizadores prévios, que seriam premissas ao conteúdo de fato, assim haveria uma fundamenção, antes da nova aprendizagem, isso traria o interesse (significado), neste diapasão o aluno poderá desenvolver os ditos
conceitos “subsunçores” (que funcionam como âncoras para as novas aprendizagens), de modo a facilitar a aquisição do conhecimento que está por vir.

Como “ferramenta de introdução”, os organizadores prévios devem ser utilizados obviamente antes dos conteúdos da matriz curricular, pois a função deste é de serem como pontes, entre os saberes prévios e o que ele deverá aprender, facilitando assim a introdução do conteúdo, isso poderá propiciar que haja um aprendizado realmente de forma significativa.

Na elaboração das aulas o docente deve sempre dar atenção ao uso de vocabulário familiar ao aluno, para que o este considere o material com valor pedagógico, claro que com andamento do conteúdo, o educador deve introduzir gradualmente o vocabulário técnico principalmente em se tratando de Radiologia, pois área médica é farta no que tange aos vocábulos específicos deste segmento.

Esta teoria visa então dar ao professor um papel social juntamente com a escola, propiciando a facilitação da aquisição do conhecimento, na formação dos indivíduos levando sempre em conta a bagagem que este traz e a formação integral do ser.

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