Diagnóstico por Imagem

Abreugrafia: A Contribuição Brasileira Para a Medicina Mundial

Conheça o Exame de Abreugrafia, Desenvolvido Pelo Brasileiro Manoel de Abreu

O brasileiro Manoel de Abreu se formou aos 21 anos pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1913.

Publicou diversos livros, entre eles o “Radiodiagnostic dans la tuberculose pleuro-pulmonaire” e diversos artigos sobre a Abreugrafia em periódicos nacionais e internacionais como “Collective Fluorography” no Radiology e “Processus and Apparatus for Roentgenphotography” no The American Journal of Roentgenology and Radium Therapy (AJR), ambos em 1939.

O alto índice de mortalidade por tuberculose nas décadas de 30 e 40, principalmente no Rio de Janeiro, e a ineficácia dos instrumentos utilizados pelas autoridades sanitárias para combater a doença propiciaram o aparecimento da abreugrafia.

O primeiro aparelho destinado a realizar exames em massa da população foi construído pela Casa Lohner e instalado na cidade do Rio de Janeiro em 1937. O método era muito sensível, com especificidade razoável, de baixo custo operacional e permitia a realização de um grande número de exames em um curto espaço de tempo.

abreugrafia
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Como Funcionava a Abreugrafia

O exame tinha por princípio a fotografia do écran ou tela fluorescente. A documentação era feita através de filme comum de 35 mm ou 70 mm. Abreu sempre recomendou o filme de 35 mm, que embora de menor custo, exigia o uso de lentes de aumento especiais para a interpretação do exame.

Roentgenfotografia foi o nome escolhido por Abreu na apresentação da nova técnica à Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro em julho de 1936. Poucos anos mais tarde, em 1939, no I Congresso Nacional de Tuberculose, no Rio de Janeiro, a designação abreugrafia foi aceita por unanimidade.

O exame foi utilizado no rastreamento da tuberculose e doenças ocupacionais pulmonares, difundindo-se rapidamente pelo mundo graças ao baixo custo operacional e alta eficiência técnica.

Reconhecimento Mundial da Abreugrafia

Unidades móveis foram desenvolvidas e utilizadas em todo mundo. Fora da América do Sul, a denominação do exame era variável: Mass radiography, miniature chest radiograph (Inglaterra e Estados Unidos), Roentgenfluorografia (Alemanha), Radiofotografia (França), Schermografia (Itália), fotorradioscopia (Espanha) e fotofluorografia (Suécia).

Tal era a aprovação e o entusiasmo pelo método na época que somente na Alemanha, até o ano de 1938, o número de exames realizados pelo professor Holfelder já ultrapassava a 500 mil. A importância de sua obra também levou à criação da Sociedade Brasileira de Abreugrafia em 1957 e à publicação da Revista Brasileira de Abreugrafia.

Por esse exame e sua contribuição para a Medicina, Manuel Dias de Abreu foi indicado ao Prêmio Nobel de Fisiologia / Medicina no ano de 1946.

Em 1974, a OMS pronunciou-se contra o uso da Abreugrafia em massa por expor desnecessariamente a população a doses de radiação.

Atualmente, o exame para detecção de tuberculose é feito pela pesquisa do Bacilo de Koch no escarro.

Entretanto a contribuição de Manuel Dias de Abreu foi imantíssima para a História da Medicina, pois seu método possibilitou o diagnóstico precoce, o tratamento e a cura de até então uma doença que era considerada sentença de morte, a tão temida tuberculose.

Por decreto lei nº 42.984 de 3 de Janeiro de 1958, instituiu-se a data de nascimento do médico, dia 4 de Janeiro, como Dia Nacional da Abreugrafia.

Até a próxima.

(As imagens deste artigo são contribuição da Técnica e Tecnóloga em Radiologia Priscila Duarte).

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