Diagnóstico por Imagem

Uretrocistografia Retrógrada, Saiba Mais Sobre o Exame

Veja como é realizada a Uretrocistografia Retrógrada

Olá pessoal. Como prometido, darei início a publicações sobre exames contrastados. E hoje vou abordar um exame que durante 8 anos realizei todos os dias, a Uretrocistografia Retrógrada.

Terei que fazer uma abordagem mais simplificada, mas tentarei passar o que em geral, é passado em duas horas/aulas.

Podemos associar a Uretrocistografia Retrógrada, na maioria das vezes, diretamente a pacientes do sexo masculino, devido aos motivos que o levam á indicação do exame.

O objetivo da uretrocistografia retrógrada é demonstrar toda a uretra. Dentre vários motivos que levam á indicação do exame, os mais comuns, são para visualização de estenose e obstruções do canal da uretra.

Sabemos que a uretra masculina “passa” por entre a próstata. Sabendo disso, um aumento prostático resulta no estreitamento (estenose), do canal da uretra, dificultando assim, a passagem da urina. Existem outros fatores e indicações, mas praticamente , 90% dos casos, se resultam a isso.

uretrocistografia retrogada
uretrocistografia retrogada

Dentre os materiais utilizados para a realização do exame, devemos destacar a Pinça de Brodney, a qual é acoplada no meato externo da uretra e fixado ao pênis (o exame também pode ser realizado com uma seringa de 20 ml comum ou ainda com uma sonda de Foley).

pinça de brodney
pinça de brodney

Não irei abordar toda a descrição do procedimento, mas claro, deve ser feita assepsia da região.

Paciente em DD. Coloca-se o paciente com rotação de 30º com a perna flexionada. O pênis deve ficar sobre a coxa flexionada (posteriormente inverter os lados direito e esquerdo). Após realização da assepsia, é acoplada em sua uretra a pinça de Brodney, através da qual deve ser injetado o contraste.

uretrocistografia retrogada
uretrocistografia retrogada

Com a pinça de Brodney acoplada ao meato externo na uretra, iniciamos a aplicação do meio contraste que pode ser diluído ao soro fisiológico (70-30%). A primeira aplicação (20 ml), é feita para certificar que a pinça está bem acoplada, sem refluir o meio de contraste e também, para dar volume a quantidade total aplicada (uma vez que o contraste tem que chegar até a bexiga).

Com o pênis tracionado, realizamos radiografia da pelve (com visualização de toda uretra) durante a aplicação do contraste (20ml para cada incidência). O orientado é visualizar a uretra em três posições, OAD, AP e OPE. Deixo aqui uma observação.

Conheço vários serviços que realizam apenas uma das incidências, muitas vezes a pedido do próprio radiologista. Porém, como sempre digo em minhas aulas, devemos respeitar alguns procedimentos que para o médico radiologista não chega a ser importante, mas para o médico especialista (geralmente urologista), é de extrema importância.

Digo isso, porque inúmeras vezes, presenciei imagens, que poderiam indicar alguma patologia, porém, ao se realizar uma incidência diferente, temos a certeza que a imagem posterior, foi apenas um erro de posicionamento (dobras ou sobreposições do canal da uretra), conforme as imagens de Uretrocistografia Retrógrada que serão demonstradas a seguir.

uretrocistografia retrógada-04
uretrocistografia retrógada-04

Quando se trata de uma patologia, ela fica visível nas outras incidências. Já um erro de posicionamento, dificilmente ocorrerá nas três incidências. Portanto, já que se vai realizar o exame, melhor fazê-lo completo, para que não se levantem dúvidas quanto ao diagnóstico.

Estenose do canal da uretra proveniente de aumento prostático.

uretrocistografia retrógada
uretrocistografia retrógada

Nota: É de extrema importância que o contraste injetado pela uretra chegue até a bexiga. Caso isso não ocorra, refaça a colocação da pinça ou tente mudar as posições do pênis. NUNCA force a aplicação e não introduza sondas até a bexiga (não faz parte do procedimento deste exame e pode causar sangramento e feridas internas).

Muito bem, foi uma abordagem rápida e simplificada do exame de Uretrocistografia Retrógrada. Mas acredito que ajude um pouco aos que não possuem tanta experiência e aos que são estudantes.

Na próxima publicação abordaremos Uretrocistografia Miccional.

Até breve!

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